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  • 30 Abril 2015

Movimentação de grãos: os desafios para escoar a safra

O clima quente e seco faz a colheita de soja avançar rapidamente no Rio Grande do Sul, com a área colhida ultrapassando os 70%, segundo a Emater.

A safra do principal grão produzido no Estado começa a ser encaminhada para os armazéns e para o porto do Rio Grande, saída preferencial para a exportação. Embora o envio aconteça durante todo o ano, com exceção de janeiro, em março, os embarques aumentam cerca de cinco vezes.

 

Entre abril e agosto, são mais de 1 milhão de toneladas por mês sendo direcionadas para outros países, com picos acima de 1,6 milhão de toneladas. Entretanto, a logística de escoamento, dependente do modal rodoviário, aumenta os custos para o produtor e pode representar um gargalo para o crescimento da produção agrícola gaúcha em breve.

 

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), os produtores gaúchos devem colher uma safra de 14,14 milhões de toneladas de soja, crescimento de 10% na comparação com a última colheita. A Fundação de Economia e Estatística (FEE), por sua vez, projeta a exportação de cerca de 11 milhões de toneladas.

 

A quantidade pode ser maior, segundo a Farsul, tendo em vista a desvalorização do real frente ao dólar, o que torna o produto nacional mais barato no mercado internacional. Além disso, os Estados Unidos, na entrada da colheita brasileira, têm os estoques finais reduzidos para 10,07 milhões de toneladas, de acordo com o último relatório do Departamento de Agricultura (Usda). Apenas no primeiro bimestre de 2015, o porto do Rio Grande movimentou 3,8 milhões de toneladas de grãos. Na comparação com 2014, os números representam crescimento de 8,6%.

 

O pico de cargas da safra gaúcha, entretanto, deve acontecer nos meses de abril, maio e junho, quando cerca de 80% da carga chegará ao porto. No ano passado, a carga total de soja, produto agrícola mais representativo, foi de 10,9 milhões de toneladas. As exportações em grão somaram 8,3 milhões de toneladas, ou seja, 75% do total. O restante foi composto pelas apresentações em farelo (2,2 milhões de toneladas) e óleo (220 mil toneladas).

 

Entretanto, o cenário aponta, em curto prazo, para o esgotamento da capacidade de transporte da produção. No Centro-Oeste, de acordo com o economista Antônio da Luz, da Farsul, há regiões em que os produtores estão evitando aumentar a produção, por falta de condições de escoá-la. "É como um funil, que possui determinada capacidade de vazão. Não adianta produzir mais sem aumentar a vazão", explica. Por fim, mesmo com clima favorável para a produção agrícola, tecnologia avançada e produtores aptos ao plantio, o crescimento do agronegócio brasileiro pode esbarrar na precariedade da sua logística em apenas alguns anos. A solução proposta pela Farsul é a diversificação dos modais, priorizando o hidroviário.